The Corner Club

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O Zé Lê “Downspiral, Prelúdio” de Anton Stark – Primeiras Impressões

Hoje de manhã, fresco e preparado para mais um dia após o término do capítulo 4 d’ O Filho de Odin, pus-me a pensar para os meus botões sobre o que eu quero para a minha vida.

Sim, eu sei, crises existenciais motivadas por abortos literários é assim a modos que estúpido.

Mesmo assim, pus-me a pensar sobre o que quereria retirar disto que estou a fazer. Oh, claro, é divertidíssimo desancar obras más, mas e que tal experimentar outros autores na mesma situação obscura que o Zuzarte? E se debaixo das proverbiais pedras poderia encontrar tesouros?

Pois bem, gentes da minha terra e do meu coração, decidi ler algo à parte. Uma âncora para a minha sanidade, uma pedra onde poderei amolar as minhas capacidades críticas, um autor que sei não comete terríveis e abomináveis crimes à literatura.

Falo do livro que me traz hoje, apenas um dia após o último post (milagre!).

Capa janota. Quero a hard-cover com as pontas em aço!

O autor teve a bondade de me enviar o livro para revisão, e pensei “porque não desancar o Anton Stark em praça pública também?” Ele está borradinho de medo sobre o que poderei dizer, mas enfim. Ele pariu a criança, ela está criada, agora a ver vamos como seduz as senhoras e propaga a sua semente. Vou ser tão crítico como de costume.

Tenho de confessar que esta é a primeira coisa que leio de Fantástico em Português (não, O Filho de Odin não conta, nem nunca vai contar), e é uma das poucas obras em Português que leio após ter fugido do ter terminado o ensino secundário. Que não se pense que sou um iletrado, leio mais do que se consideraria saudável, mas confesso o meu nervosismo. Desancar obras más é fácil, as feridas estão lá, abertas, a gangrenar. Dar crítica mais incisiva a obras mais complexas? Mais complicadito.

De qualquer forma, que dizer das primeiras impressões? Bem, a melhor maneira de demonstrar o meu principal ponto de choque é a sinopse.

Dinheiro. É tudo o que Alleth Vairs necessita e tudo o que o levou a juntar-se ao Serviço de Reconhecimento Amorsleano. O trabalho de espião paga bem, mas a nova missão pode trazer-lhe mais do que uma recompensa avultada. E os deuses, dizem, são graciosos…

O duque Rehnquist Alvaro sonha com uma Amorslea forte e unida. Para se certificar que certos obstáculos são removidos desse caminho, terá que operar nas sombras, manipulando os destinos do reino com jogos de poder.

Stephan Kallistos é atirado à força para o comando de um regimento destroçado após uma esmagadora derrota da Confederação. A promoção não lhe agrada, de todo. De facto, o avanço na carreira pode revelar-se terminal.

Do Norte Gelado os Crentes lançam-se uma vez mais contra os hereges do sul, e Quanon da Chama avança com os seus irmãos de templo nas fileiras da frente, pronto para a batalha.

Neste primeiro volume da saga Downspiral, a primeira saga steampunk em português, o leitor percorrerá por terra, água e ar os territórios dos Reinos de Vapor, acompanhado por várias personagens cujos destinos se entrecruzam – e, mais importante de tudo, começará também ele a questionar-se: o que é o Sopro, para que serve, e porque tantos o procuram?

Quem? Quando? Onde? Porquê? O quê? Como?

Eu estou habituadíssimo a ler ficção especulativa, estou mais que acostumado a nomes esquisitos, culturas estranhas, tecnologia incrível, magia, outros seres, mas tenho de dizer que poucas foram as vezes em que vi tanto texto dizer tão pouca coisa.

Certamente, muita coisa é dita, mas … que questões responde? Que esclarecimentos sobre a trama nos traz? Muitas coisas parecem acontecer, mas que ligação têm umas com as outras? Quem são estas pessoas e porque é que eu tenho de me importar com elas?

A impressão que dá é a de um texto hermético, difícil de penetrar, que dá poucas bases de referência iniciais para ajudar o leitor com a imersão, um texto que se decifra mais do que se lê. Devo confessar que não me deixa com água na boca. Não está horrível mas … não diz rigorosamente nada, não atrai o leitor. Tendo em conta que o propósito de uma sinopse é precisamente atrair o leitor …

Opá, são muitas reticências. A impressão é mesmo essa, reticente, de sobrancelha arqueada. Fico a olhar e a pensar no que me vou meter. Ao menos com a magnífica hilaridade do Zuzarte, tinha uma impressão mais concreta do que ia encontrar.

Aqui? Não tenho a certeza de rigorosamente nada.

Sempre gostei de steampunk como tema. Como tal, vou dar-lhe a hipótese. Como sei que não vou precisar de me enfiar em ensaios sobre os fundamentos da literatura como faço com o Filho de Odin, estou certo de que serão posts mais fáceis de escrever, qualquer coisa para enfiar no meio da semana enquanto o pessoal espera pelo desancanço.

Que encontrará o Zé nas profundezas do Reino de Vapor? Que mistérios irá ele desvendar enquanto vagueia por Amorslea, ou o raio que a parta? Que gente é esta, e que raio é o Sopro? Uma fleshlight de rodas-dentada? DESCUBRAM NO PRÓXIMO EPISÓDIO!

— José Pedro Castro

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This entry was posted on Março 28, 2013 by in O Zé Lê and tagged , , , , .

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