The Corner Club

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O Zé Lê “O Filho de Odin”, de João Zuzarte Reis Piedade – Capítulo 5

Ora bem.

Eu sei, este demorou a chegar que não foi nada pouco. Lamento. É minha esperança que O Zé Lê volte a um horário mais estável a partir de agora, com alguns dos meus problemas e trabalhos já resolvidos.

Mas vocês passaram quase um mês sem mim, portanto, sem mais demoras …

Comedy TragedyO FILHO DE ODIN DRAMATIZADO

O ASSALTO À CIDADE

PERSONAGENS

JONATÃ, o protagonista, em quem todas as atenções se devem centrar. Cabelo branco frisado, corpito Men’s Health e armadura de mithril a condizer.
IORI, a vagina japonesa ambulante. Não faz nada senão ser a capa da Playboy de Maio de 1862.
KENCHI, o cleptomaníaco ninja do clã Iga, oriundo do Japão. Fetiche por varizes e idosas. Gosta das mamocas de MACE.
BOEÜRN, tio materno de JONATÃ e pai negligente de MACE. É uma nulidade. Suposto amante da sua própria irmã.
MACE, filha de BOEÜRN, a vagina ambulante ruiva. Perigoso vício por adrenalina. Boas mamocas.
HEFESTO, deus ferreiro do panteão grego.
TE’CHALL, o estereótipo africano ambulante. Druida e feitiçeiro, curso tirado via Novas Oportunidades.
, o autor desta dramatização. A melhor personagem delas todas. Caluda. É mesmo.

 

CENA I

Passa-se a cena na mansão de BOËURN, na véspera de uma grande festa em honra da chegada de JONATÃ a Toledo. Na cena, encontram-se um número de convidados para as festividades, vestidos em fatos de gala, em conjunto com BOËURN, que olha com expectativa para as escadas da sua mansão, esperando a descida de JONATÃ e IORI. Um relógio marca 22 horas e 55 minutos em prominência no palco. A seu lado, vestido na sua roupagem quotidiana, segue o seu olhar, braços cruzados e expressão de alguém prestes a ser lobotomizado. KENCHI deambula por entre os figurantes, roubando-os enquanto veste a sua roupa de todos os dias, tresandando a adolescente ainda a atravessar a puberdade. BOËURN vira-se para , visivelmente consternado.

BOEÜRN – Tendes a certeza, caro Zé, que será ideal que estejais aqui presente?

– Eu tenho a certeza, sim. Este capítulo não é lá muito interessante seja qual for o meu método de análise, portanto cá estou eu. Talvez consiga engraçar um bocado melhor a coisa. Nada como self-inserts, hein?

BOËURN – Capítulo? De que raio falais?

revira os olhos.

– Nada, nada. Olha ali o teu sobrinho.

Desce JONATÃ as escadas, vestido num elegante fato de gala. Prontamente, porque é um lerdas desastrado, escorrega a meio do caminho, cai pelas escadas abaixo fazendo uma espargata e acaba esmagando o seu precioso nariz no chão. Prontamente cascatas de sangue (sim, cascatas) jorram do mesmo.

JONATÃ – ESDOU DEM! ESDOU DEM!

olha para JONATÃ com óbvia descrença.

– O tipo está a escarrar mais sangue que um hospital visitado pelo Estripador, e ele diz que está bem?

BOËURN encolhe os ombros, provavelmente porque sabe que o seu sobrinho é um lerdas. À volta de JONATÃ reúnem-se gentes não-especificadas para tentar estancar a gargantuana ferida, enquanto KENCHI move-se pelo pano de fundo, roubando desavergonhadamente os barões espanhóis. Nisto, desce IORI as escadas, envergando um vestido que demonstra as suas amplas qualidades de sex symbol. Os convidados a admiram como se fosse uma rapariga passível de ser fodida a bom foder uma princesa.

KENCHI – Porra, vocês não têm olhos. Preferia comer a minha avó de cento e cinco anos a gostar dessa rapariga, porque ela está obviamente reservada ao protagonista e o nosso autor nunca pode ter uma réstia de conflito na obra.

– Still a better love story than Twilight.

IORI aproxima-se dos restantes convidados.

IORI – Que tal estou?

JONATÃ – OOGALABOOGAUUGUUKAKAPOOPIE

– Coitado, sangrou o que restava do cérebro.

IORI beija-lhe na cara mesmo assim, sorrindo de contente, apesar da mesma estar coberta de sangue e muco, porque nada é mais perfeito que JONATÃ.

– Porra, aposto que lhe cheiravas os peidos debaixo dos cobertores para lhos elogiares pela pungência.

IORI – Ah podes crer!

vai prontamente esbarrar a sua testa contra a parede mais próxima, enquanto IORI acaricia JONATÃ.

IORI – Se eu não posso dar um pouco de carinho e um sorriso ao meu melhor amigo, então o que lhe posso dar?[1]

KENCHI – Bem, tenho uma outra ideia que me veio à cabeça, mas vão achá-las impróprias para as nossas idades.[1]

olha para KENCHI como quem olha para um oásis no deserto.

– Eu também acho que eles deviam foder que nem cães para o meu entretenimento, Kenchi, mas eles são uns idiotas!

e KENCHI abraçam-se como se de irmãos longamente separados se tratassem, e vão beber uns shots à mesa das bebidas. A festa retoma o seu entediante rumo, enquanto o par previamente mencionado embebeda-se à louca. Fim de cena.

CENA II
Está a festa a acabar. O relógio aponta para algures depois da meia-noite. As personagens da cena anterior estão todas muito animadas, até mesmo .

– … portanto, se queres empalar a Mace com o teu viril membro, meu caro, vais ter de agir de melhor forma. E vestir outra roupa, porra, tu tresandas. Olha, faz o seguinte —

Mas os conselhos amorosos de são interrompidos na sua sagacidade. Entra de rompante um SOLDADO, ofegante de tanto correr, pânico estampado na sua cara. Apesar de estar a recuperar o seu fôlego, vai-se lá saber como, consegue gritar.

SOLDADO – ORCS!!! ORCS E CENTAUROS AO PÉ DA MURALHA, ELES VÃO INVADIR A CIDADE!!!

– E eu a pensar que tinham chegado para uma cimeira de paz. Esta é uma obra de fantasia, foda-se – estás num livro do Zuzarte! – estavas à espera de outra coisa?!

O SOLDADO pendura a cabeça, envergonhado.

SOLDADO – Tendes razão. Mas … eles vão matar-nos a todos!

BOËURN – NADA TEMAIS! Convidados! HORA SUPER-HOMEM!

Do nada, os convidados decidem remover as suas vestimentas de gala para revelar armaduras de oricalco. Porque se encontram debaixo de fatos de gala muito justos, as armaduras só podem ser incrivelmente justas e reveladoras das formas físicas daqueles que as usam.

– É a noite gay e eu não sabia. E quem porra usa armadura debaixo de um fato de gala? Está tudo doido?

TODA A GENTE – GUERRA! GUERRA E PORRADA! MORTE E CHACINA!

– Oh vão-se todos foder.

BOËURN – Espadas! Espadas e pistolas, quentinhas e docinhas! Quem quer uma pistola? Quem quer uma espada? Espadas! Espadas e pistolas, quentinhas eeee docinhas! Jonatã, queres juntar-te à porrada?

JONATÃ – Deixa-me pensar sobre o assunto um bocadinho. Ok! PORRADA!

– Porque raio é que vocês não vestiram a vossa fatiota de cerimónia por cima da vossa armadura como estes outros estafermos? Porque é que nada faz sentido? Porque é que a minha bisavó está a fornicar com um soldado espanhol ali no canto enquanto um marinheiro musculado lhe dá uma massagem de ombros? Porque é que começou a chover bacalhau do tecto?

BOEÜRN – Acho que estás pirando da mona, meu.

– PORQUE É QUE ESTÁS A FALAR COMO O GRIFO?

BOEÜRN – Porque eu sou o grifo, Zé.

– NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAOOOOOOOOOO!

Fim de cena.

CENA III

Uma tempestade paira sobre as muralhas de Toledo. O exército da cidade reúne para opor-se às forças do Mal que se amontoam na planície.

JONATÃ – PORRADA! MORTE! CHACINA! MORRAM TODOS, MEUS SACANAS! MODO VIDAR SUPER GUERREIROOOOOOOOOOOOO! ACTIVAR!

Vidar chocou contra um inimigo com um estrondo de trovão. Sacou das suas duas facas e começou a rodá-las nas mãos até que se parecessem com serras eléctricas. Serrou orcs e centauros ao meio, enquanto Arthos lhes acertava com as suas penas de lâmina e cosia as suas tripas com raios laser que lhe saíam dos olhos, deixando-os a contorcerem-se de dor até morrerem. Meio minuto mais tarde, o exército toledano chegou e chacinou também imensos orcs e centauros.

E todos morrem. Sim, é tudo isto.

 

CENA IV

É manhã. Um falcão sobrevoando o campo de batalha guincha, anunciando o seu fim. Reúne a Equipa Jonatã, com BOEÜRN olhando com espanto a figura perfeita do protagonista. Ninguém do lado do Bem morreu; foi tudo ressuscitado pelas Valquírias convocadas por JONATÃ. ZÉ, brevemente recuperado do seu surto de demência, simplesmente olha para tudo isto, atónito.

BOEÜRN – Uau, Jonatã! Tu não só és incrivelmente sexy, rico e bem posicionado socialmente, como também és um guerreiro capaz de chacinar milhares de criaturas em batalha ao mesmo tempo que transformas o teu exército aliado em super-guerreiros nórdicos e ressuscitas todos os que morreram durante a batalha! Posso chupar-te a pila?

JONATÃ – Não, que tenho medo que alguém toque no meu corpito perfeito. Já agora … porra, tio, eu sou o teu sobrinho!

BOEÜRN – E provavelmente és meu filho também. Sim, eu fodo a tua mãe.

JONATÃ – Oh vai-te catar, tio, só dizes disparates. Olha, lá vêm as vaginas ambulantes! Agora que tenho uma erecção massiva por ter cometido crimes de guerra impensáveis, acho que posso tocá-la sem que tenha cem aneurismas fulminantes!

Entram IORI e MACE em cena, ainda nos seus vestidos, porque ninguém quer gajas a lutar. Com elas vem a MÃE DE MACE.

IORI – POSSUI-ME, JONATÃ!

JONATÃ – Nah, muito obrigado.

MACE corre em direcção de KENCHI, cujos olhos brilham de contentamento. Está prestes a abraçar a rapariga dos seus sonhos.
E ela decide ir abraçar o pai.

KENCHI – Quero cometer seppuku.

De repente, perante o grupo, brilha uma luz forte. Surgido do nada aparece HEFESTO, deus-ferreiro.

JONATÃ – Hefesto! … deus ferreiro! … como tens passado? [1]

HEFESTO – Muito bem, Vidar, obrigado por perguntares, apesar da minha cidade ter sido atacada e as minhas narinas estarem a ser invadidas pelo fedor a cadáveres cozidos.

– Mas porque carga d’água é que os deuses gregos são venerados na Espanha oitocentista? Como é que Hefesto conhece o Jonatã e Jonatã o conhece, partilhas no Facebook?

HEFESTO – Olha, Vidar, tu ajudaste a defender, sozinho, a minha cidade. Nah, o resto dos soldados que sangraram e morreram para a defender não contam, só tu contas, porque és o protagonista. Por isso, vou dar-te uma aljava de cem setas com capacidade nuclear.

– MAS PORQUE FODA ESTÁS A DAR AO PIRRALHO FLECHAS BOMBA-ATÓMICA?! ESTÁ TUDO DOIDO?!

HEFESTO não responde, desaparecendo logo de seguida.

JONATÃ – Ó Zé, cala o bico senão levas com uma na tromba. Ora bem, pessoal, hora de ir embora.

BOEÜRN – Não vás! Há monstros lá fora! [1]

JONATÃ – A sério? Não sabia! Que raio achas que andámos aqui a matar a noite toda?! De qualquer forma, eu tenho de ir! Porque o Zuzarte tem uma erecção massiva pelos Gregos, que aparentemente são o povo perfeito protegido pelos deuses, eu tenho de ir salvar o leste da Europa das garras do Drácula!

Nisto, o falcão desce das nuvens, aterrando no meio do grupo, transformando-se no síto num estereótipo africano ambulante.

TE’CHALL – Mim ser Te’Chall. Mim ser druida E feitiçeiro, e vocês precisam de alguém que saiba magia. Mim juntar-se a vocês.

JONATÃ – … OK!

MACE – Eu também quero ir!

JONATÃ – Mas tu és uma gaja!

MACE – Diz essa mais uma vez e dou-te os teus tomates a comer pró almoço.

JONATÃ – Ok, já que pões as coisas nesse prisma.

BOEÜRN – Não podes ir!

MACE – Olhos de gatinha!

BOEÜRN – … está bem, podes ir.

MÃE DE MACE – SEU FILHO DA PUTA! A MINHA FILHA! QUERO O DIVÓRCIO!

Reúne-se o grupo de JONATÃ, preparando-se para partir, enquanto a MÃE DE MACE é violentamente espancada por BOEÜRN e tem um aneurisma de tanta estupidez junta. O seu corpo jaz no chão a estrebuchar.

Fim de cena. Fecha o pano.

[1] – Sim, ele escreveu isto. Eu não estou a brincar. Está assim ipsis verbis.

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13 comments on “O Zé Lê “O Filho de Odin”, de João Zuzarte Reis Piedade – Capítulo 5

  1. José Santos
    Abril 27, 2013

    “Hefesto! … deus ferreiro! … como tens passado?” ipsis verbis? No way… O_O

    • José Pedro Castro
      Abril 27, 2013

      Yes way.

      Este tratamento absolutamente coloquial de uma divindade espanta-te, num mundo em que Jonatã comete milagres superiores a Jesus Cristo?

      • Diana Silva
        Maio 3, 2013

        SPOILER ALERT:
        Ainda falta chegares à parte em que Jesus Cristo realmente aparece no livro…
        Sim, eu infelizmente li esta monstruosidade até ao fim. Os meus pais ofereceram-mo no Natal do ano em que ele saiu porque eu achei que a capa e o título eram promissores. Depois desta desilusão vou seguir o provérbio e nunca mais julgar um livro pela capa. Depois das primeiras linhas só o continuei a ler porque, inicialmente dizia a mim mesma que devia estar a ler qualquer coisa mal, depois que aquilo tinha que melhorar em breve e finalmente só queria ver até onde ia tamanha idiotice. E só gostava de saber como o deixaram escrever mais 2 livros.

  2. Joel G. Gomes
    Abril 27, 2013

    Best analysis of a Chapter 5 ever!

  3. Carla M Soares
    Abril 27, 2013

    Sem ter lido o original…. ehehehehehehehe. Mas arrisca-se a pôr meio mundo a ler esse tal livro, curioso para saber ONDE ESTÁ ESTA CENA!! Eheheheheheh.

  4. pinguicha
    Abril 27, 2013

    Zé, és o maior. Tá uma pessoa farta de empancar com Java e C++, lê isto e muda logo o humor 😀

  5. kerhex
    Abril 29, 2013

    Estou ansioso pela análise da batalha entres os gnomos e os duendes. Isso e o encontro com Deus. Livro genial.

  6. Inês Montenegro
    Abril 30, 2013

    Só a minha opinião, mas isto devia ser levado a cena. Já estou a imaginar no Sá da Bandeira… E o La Féria não fazia um musical?

  7. Ana Ferreira
    Maio 2, 2013

    BOEÜRN – Uau, Jonatã! Tu não só és incrivelmente sexy, rico e bem posicionado socialmente – juro que morri com isto 😄 Que rei!

  8. Rui Bastos
    Junho 10, 2013

    Estou-me a rir bandeiras despregadas, caraças pah, queria deitar-me cedo, hoje, tou a ver que não suceder xD

  9. João Ricardo
    Maio 22, 2016

    Gostei bastante desta personagem chamada Zé. Espero que apareça em futuros capítulos.

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