The Corner Club

Onde se comenta a narrativa enquanto se beberrica chá. AVISO: Segue-se conteúdo sugerido a adultos.

O Zé Lê “O Filho de Odin”, de João Zuzarte Reis Piedade – Capítulo 12

O quê? O Zé, a publicar um artigo? Depois de só ter escrito três em 2014?

O Planeta, dez minutos depois.

O Planeta, dez minutos depois.

Eu sei, eu também estou surpreendido. Tenho dez minutos para escrever isto antes de o Apocalipse cair sobre as massas incautas da Terra, portanto é melhor que me despache a dactilografar. Ahem-hem-hem. Eu juro para vocês que estou um pouco em estado de choque com o facto de ter chegado tão longe. Entre as agruras da vida, as vicissitudes universitárias e agora laborais, a procrastinação crónica e a exasperação constante que é ler um parágrafo que seja deste resquício de vómito de esquilo, não previa chegar sequer ao meio da leitura antes de parar por completo. Tem sido uma viagem atribulada e, como o peido semi-velho que sou, vejo-me a olhar para trás, para os áureos tempos em que tinha tempo livre a rodos, conseguia produzir um destes por semana e não sabia muito bem nem ao que vinha, nem como vinha.

Muito por culpa da minha inconstância e falta de ambição, não tenho um público lá muito grande. Vós gentes que apreciam o que aqui vou escrevendo não passam de algumas dezenas e, salvo alguns reparos de alguns amigos meus com maior olho crítico, as reacções são extremamente positivas. A falta de detractores vocais obriga a que tenha sempre a preocupação de manter um certo nível de auto-crítica e policiamento, coisas que qualquer pessoa tem, claro, mas que preciso em especial quantidade porque, lá está, é muita gente a dizer bem. Quando a esmola é grande, o vadio desconfia que está a ser requisitado para favores sexuais.

Não faço anal. Isso é com o Cajó na outra esquina.

Não faço anal. Isso é com o Cajó na outra esquina.

A razão de estar a dizer isto prende-se com uma preocupação que me atormentou ao longo do último trimestre de 2014 e inícios de 2015, à medida que tentava, sem grande sucesso, meter um destes cá para fora. Eu acho que fui demasiado duro com o Zuzarte. Consigo ouvir as xícaras de café e os monóculos a cair no chão pelo Mundo fora. Quê? Demasiado duro com o Zuzarte? – Ó Zé – , consigo ouvir lá longe, – bateste com a cabeça?

Sim e não. O que implica um esclarecimento.

Foi minha a crença, ao longo do fim de 2014, que não fui muito simpático com os termos que usei para me dirigir ao Zuzarte. Alguns até descreveram o que faço de “bullying”, inclusive, coisa que tocou numa ferida ainda muito aberta e motivou um longo período de auto-reflecção. O que faço aqui no Zé Lê é aquilo a que se chama de “sporking”. Trata-se de uma leitura acompanhada e tipicamente satirizante de um texto. Como toda a sátira, há uma corda bamba em que andamos, onde arriscamos constantemente o exagero e a ofensa – o propósito magno da sátira é o entretenimento, o riso, o comentário social possível da exposição do ridículo. Quando escrevo, não o faço com o propósito de insultar ou rebaixar. Quero entreter-vos com o meu sofrimento ou euforia, não afagar a minha pila. Comecei a escrever o Zé Lê ao afirmar que o Zuzarte poderia facilmente ter sido eu, ou qualquer um outro jovem, com mais sorte senão o mesmo privilégio. Estava pronto, por isso, para escrever um pedido de desculpas – o Zuzarte nunca mas pediu, mas mesmo assim, achei que seria um bom gesto de fazer, junto com algumas mudanças ao meu estilo sui generis de comunicação. Mas depois, no início deste ano, aconteceu isto.

E se alguém se sentir ofendido com isto, pode muito bem acabar de ler e sair da página. A porta é a serventia da casa.

E se alguém se sentir ofendido com isto, pode muito bem acabar de ler e sair da página. A porta é a serventia da casa.

Como defensor ferrenho da liberdade de expressão e dos valores humanistas, há pouco que tenha acontecido durante os meus anos de vida como adulto consciente que mais me tenha alarmado do que o massacre no Charlie Hebdo. Não porque foi um massacre – muitas mais pessoas morrem em muitos outros massacres por esse mundo asqueroso fora, todos eles merecendo o mais veemente repúdio. Tal como tudo o que tende a ecoar pela História, a importância do que aconteceu aqui não foram as pessoas mortas, cuja relevância intrínseca é inquestionável, mas o crime hediondo à própria ideia de liberdade de expressão. Matou-se alguém pelo simples facto de que disseram coisas com os quais os lunáticos não concordaram. Pelo facto de as terem ofendido. Porque a sátira merece balas, segundo demasiadas pessoas, muitas das quais entre nós e com voz na opinião pública. Porque “se alguém fala mal da minha mãe, pode esperar um murro nas fuças”, parafraseado do Papa Francisco num momento de extrema infelicidade.

Foi algo que me deixou abalado, e me pôs a pensar sobre o quanto eu valorizo a minha palavra, se estou prestes a auto-censurar-me para poupar o ego a alguém. Exagerei em alguns sítios? Talvez. Poderia usar outras palavras? Poderia, posso, e vou. Deveria eu limitar o meu reportório linguístico só porque alguém poderá sentir-se ofendido, quando o que está patente é a sátira, não o insulto gratuito?

Não. Não, e mil vezes não. Se o Zuzarte alguma vez ler o que escrevi acerca dele e a obra dele neste blogue, poderá, com certeza, dirigir-me a palavra para chamar-me de grande besta por se sentir ofendido. Poderá contestar, linha por linha, todas as críticas que faço. Poderá até achar graça, o que seria fantástico – não é a pessoa corrente que estou a achincalhar, afinal de contas, mas sim o ente passado que escreveu o produto da digestão diária de um gato de que falamos.

Segundo me consta, o Zuzarte até é bom rapaz, e eu não me importaria nada de o conhecer melhor. Convido-o para umas bejecas e tudo. Prometo que não mordo. Mas não retiro nem uma única linha do que escrevi. Estive a centímetros de vender a minha liberdade a troco de um falso sentimento de pudor – pudor esse que muitos parecem confundir com respeito. Não é o mesmo. Respeito não é calar verdades, mesmo que vestidas de tom garrido e obrigadas a dançar o can-can. Respeito é ter a capacidade de falar sem medo, é confiar que o interlocutor não é um idiota ou uma ave rara que não pode nunca sofrer o grande pecado de ser minimamente ofendida. Porque as palavras podem morder, mas os punhos e as balas mordem bem mais fundo, e é bem mais fácil responder com palavras do que com balas.

… bem! Depois do assunto deprimente, que tal um pouco de parvoíce? E quando digo ‘um pouco’, quero dizer quantidades industriais?

O CORNO DO UNICÓRNIO

O nome mais sugestivo de sempre para um porno rasca.

Drácula aumentava desenfreadamente o poder. Com o passar do tempo, os dias ficavam cada vez mais negros. A noite durava mais do que o dia e uma neblina verde-escura, que pairava nos céus, fazia com que os vampiros e Drácula tivessem uma vida diurna sem problemas.

Era uma vida de tormento, caros leitores. Drácula nunca podia ir ao centro comercial! Queria pãozinho fresco pela manhã, um chá de camponês ao entardecer, encontros amorosos com o pôr-do-sol como companhia! Esta coisa de ser bicho da noite tem o que se diga, não é só vantagens. Excepto agora. Agora é só vantagens. E falta de pronomes pessoais, também. O poder de quem, Zuzarte?

Enquanto esperamos resposta, Drácula constata que sim, Jonatã chegou à Roménia. O que é mau, porque até ele sabe muito bem o que acontece quando bonzões da fita como o Jonatã chegam perto dos lares dos vilões; dá-se-lhes um súbito e infeccioso caso de morte. Porque Drácula não quer passar por essa chatice (e ele parece ralar-se mais aqui do que no texto, garanto-vos), reúne um exército de dois mil vampiros-soldados de elite.

Rroubaste-me a ideia, herr Zuzarrte!

Rroubaste-me a ideia, herr Zuzarrte!

Esqueçam o que disse. Afinal parece que o Drácula não sabe mesmo como é que estas histórias acabam.

A muitos quilómetros dali, o grupo de Jonathan desmontava dos seus corcéis, decidindo prosseguir a pé.

Os vossos animais são criaturas cósmicas capazes de viajar à velocidade da luz! Zuzarte, diz-me; porque raio introduziste o facto dos mesmos viajarem à velocidade da luz se nunca planeias que usem essa mesma velocidade? Como é que as necessidades da história agora conseguem justificar a ausência completa de sentido que é andar a pé quando temos a porra da capadidade da teletransportação?!  

Assim que Jonathan pôs o pé em solo romeno, sentiu uma força invadir-lhe o corpo, mas depois essa sensação passou. Recuou um pouco e aproximou-se da fronteira da Roménia com a Bulgária. Estendeu a mão e sentiu que tocava numa parede, mas ali não existia nada. Nisso é que ele se enganava, pois Drácula criara uma barreira invisível que rodeava toda a Roménia; esta barreira permitia aos mortos-vivos sair e entrar, mas um ser vivo apenas poderia entrar, para nunca mais sair …

Alto e pára o baile. Drácula está desesperado para matar Jonatã e impedir que o mesmo arruíne os seus planos. Está a atirar monstrengo atrás de monstrengo em cima do rapaz sem pila para isso mesmo. Porque raio criaria ele uma barreira invisível que deixa entrar o papalvo e depois impede-o de sair? A que nível de vilania estás tu a trabalhar?

NHIAAAAA! Vós ides faleceri!

NHIAAAAA! Vós ides faleceri!

Jonathan respirou fundo, receando nunca mais voltar a casa. Depressa esse pensamento se desvaneceu. Agora, apenas uma coisa importava: destruir Drácula e os seus seguidores.

Andaram quilómetros sem parar até que Jonathan decidiu chamar Arthos. Tocou uma nota na sua trompa mas o amigo não apareceu, voltou a tocar e nem sinais. A barreira mágica que rodeava a Roménia deixava que o som da trompa se propagasse, mas também impedia que animais sagrados entrassem no país, daí que Arthos, Daigoro e Aëröd se mantivessem do lado de fora.

Mas tinham dúvidas? Claro que Jonatã não tem medo ou dúvidas. Jonatã é a obra mecânica perfeita. Não tem nem tomates nem pila para agradar à vampira diurna, queriam que tivesse a horrível falha que é o sentimento humano? Claro que não. Jonatã segue em frente. Mais tarde, ele vai à procura do chip das emoções que o engenheiro esqueceu-se de lhe enfiar na motherboard interna. E querem vocês sequer que vos diga o quanta merda junta está naquele segundo parágrafo? Querem mesmo? AI AGORA É QUE SE LEMBRAM DOS ANIMAIS, DEPOIS DE “QUILÓMETROS SEM PARAR”?! Ah pois!, deve ter pensado o idiota, temos montadas! Ups, esquecemo-nos delas na fronteira mágica QUE NÃO AS DEIXA ENTRAR.

Já estou a lembrar-me do porquê de só ter escrito três destes artigos em todo o ano de 2014.

Porque isto é a Roménia, Zuzarte tem de trazer ao de cima todo o seu talento para o cliché. O bando de heróis precoces entram numa floresta, escura e coberta de neblina, olhos vermelhos a espreitar dos arbustos a espiar os seus movimentos. Depois …

Prepararam as armas de forma a serem facilmente usadas, caso alguma coisa os atacasse. Quando Kenchi desembainhou a espada, esta começou a brilhar tão intensamente que a luz que saía da lâmina iluminou uma rande parte do local onde eles estavam, fazendo com que os olhos vermelhos que brilhavam na escuridão desaparecessem.

– Que se passa com a tua espada, Kenchi? – perguntou Jonathan.

– Lembras-te quando eu te disse que a Yojimbo-Masamune podia detectar energia diabólica ou o mal?

– Sim! …

– Como estamos na Roménia, e o mal se espalha por todo o lado, ela brilha mais intensamente.

Jonathan olhou para o interior da floresta e murmurou: “Não temo a escuridão nem a morte”, e embrenhou-se nela sozinho.

Ok, Zuzarte, tenho uma pergunta séria a fazer-te. O que é o Mal? Não, a sério, gostava imenso que me esclarecesses sobre isso. É que a moralidade, dizem-me as vozes que sussurram no meu ouvido à noite, tem muito pouco a ver com estados atmosféricos ou pigmentação da melanina. Porque é que um nevoeiro preto é malvado? Porque é preto? Porque é sapiente e quer estropiar-te à bruta? Porque é o aglomerado de peidos de Satanás? E os olhos? Tens medo das bruxas e do mau olhado?

Toma. Talvez precises.

Toma. Talvez precises.

E é claro que não tens medo, Jonatã. Tu doesn’t afraid of anything ever ever, não é? Turbo Facepalm Porque os putos não são mais espertos, decidem seguir o líder, como boas ovelhinhas que são. Avançam durante horas, penetrando a floresta cada vez mais, até que encontram um unicórnio ferido.

Estão prontos, meninos? Porque Hora Attenborough

Este poderoso cavalo é famoso por ter a pelagem branca e grandes e meigos olhos castanhos. A crina parece seda pura e um pequeno corno que pode ser de marfim ou de ouro sai-lhe da testa. Os unicórnios são seres bons e meigos e mostram mais afecto pelas mulheres do que pelos homens. Podem comunicar telepaticamente e são muito velozes, graças à magia dos seus cascos dourados. O toque do seu corno cura qualquer doença e transforma a água mais suja em cristalina ou benta, conforme a vontade do animal. Muitos humanos tentaram caçar unicórnios para usá-los como corcéis ou para limar o seu corno, mas nenhum conseguiu fazer tal coisa por se tratar do animal mais rápido do mundo, a seguir aos animais sagrados. Curiosamente, o unicórnio põe ovos e defende o seu ninho com a própria vida. Nunca ninguém conseguiu apanhar ovos desta espécie, pois a magia do seu chifre pode dizimar mais de cinquenta homens, se estiver furioso. Para nascer, o unicórnio parte a casca do ovo com o seu pequeno chifre envolto em pêlo, e quando cresce parte com o objectivo de espalhar o Bem e a Paz.

UMA PÁGINA INTEIRA. SEGUIDA! Num livro onde Zuzarte mal poupa uma frase para descrever uma cidade ou uma personagem! Ah, e os unicórnios são tão rápidos quanto animais sagrados. are_you_fucking_kidding_me__by_rexdragonfang99x-d6o7s38De uma cajadada só, apresenta um animal super-rápido, capaz de magia suficiente para aniquilar regimentos inteiros e velocidades próximas da teletransportação, após ter feito os protagonistas passarem uns tempos inúteis e parvíssimos sem os animais sagrados, tudo da forma mais forçada que já vi. “Ah, precisamos de algum animal rápido! Olá, cá está um unicórnio, temos boleia”! Mais; foi-se o corno. Aquela coisa poderosíssima que consegue aniquilar regimentos inteiros e teletransportar-se perdeu o corno. Alguém o arrancou à força.

Nem passámos duas páginas sem encontrar divergências narrativas fatais. Se este livro fosse um sistema operativo, teria derretido qualquer computador em que seria instalado.

Após confortar o animal em sofrimento, e depois de Jonatã ameaçar enfiar “este pau pela uretra acima” (sim, ipsis verbis) de quem fez isto, Te’Chall, que está lá só porque sim, avista uma clareira ao longe. O grupo aproxima-se, descobrindo uma cabana. Batem à porta e, porque são retardados mentais e não respeitam a propriedade alheia, decidem entrar à força.

O interior da cabana era tão horrível, que era capaz de causar náuseas ao homem mais corajoso e forte. Do tecto, pendiam correntes presas com ganchos enferrujados em nestes, estavam espetados corações humanos, que manchavam todo o chão com gotas de sangue. Havia frascos que continham órgãos em conservação. Alguns desses órgãos ainda estavam em cima de uma pequena mesa de madeira. Do outro lado da mesa, havia um cérebro humano com uma faca espetada. Numa tábua de madeira estava um corpo humano esventrado, notando-se a falta do coração. No canto da cabana, encontrava-se uma caixa, em forma de caixão, com espinhos de serrilha enferrujados no interior; quem fosse ali colocado era perfurado completamente e qualquer movimento causaria dores horríveis. A caixa tinha vários ajustes para determinar a tortura desejada.

literatura infantil Que raio?! Estamos nós numa aventura épica juvenil ao bom e velho estilo Eragoniano, e de repente, caio de fuças numa dramatização do diário do Charles Manson? Muito Dragonforce quando chegaste a esta parte, Zuzarte? Jonatã vomita (em vez de ficar absolutamente horrorizado, como qualquer ser humano minimamente são ficaria), porque dá-lhe nojinho ver partes desnudas de cadáveres e miudezas mesmo após ter criado umas quantas centenas das mesmas ao longo da história, e eu tomo mais um trago de vodka, que raios partam preciso de mais álcool.

É óbvio o que ele está a tentar fazer aqui, quando lemos mais à frente. Jonatã, Kenchi e Te’Chall descobrem um certo velhote no casebre dos horrores.

Tiveram saudades minhas?

Tiveram saudades minhas?

Kalthazad, pois claro. Quem mais seria dono de uma casa de horrores como esta, para além do Christian Grey? Está ele ajoelhado à frente de um altar feito de ossadas, falando em satânico (que grande filólogo o Diabo nos está a sair) em frente ao Livro dos Mortos, ooooo. A ideia redutora de Mal anteriormente replicada no texto atinge aqui o seu zénite – para que não haja ambiguidade possível, bora lá fazer com que o idoso maléfico seja um aficionado de vísceras. Ah, cheguei a dizer que é ele que tem o corno do unicórnio na mão? Claro que é. Que diz Jonatã, perante tudo isto?

– Não achas que já brincaste o suficiente com o teu estojo de química? – disse Jonathan a gozar com Kalthazad.

– Strongheart?! Vejo que ainda estás vivo … é impressionante!

– Chega de conversa. Eu vi o que fizeste ao unicórnio e, por isso, vais pagar por ele e pelas vítimas que mataste para a tua colecção de amostras – sentenciou Jonathan.

– E vais fazê-lo pagar, enfiando-lhe o pauzinho pela uretra acima, não é? – brincou o amigo japonês.

– Isto é, se ele a tiver – disse Jonathan.

th_Angry Não acho que seja o Kalthazad quem não tem uretra, Jonatã. Não é ele que ainda não emprenhou a serigaita que te quer à força.

Kalthazad, então, ficou furioso e lançou-lhe um raio com feitiço para o matar. Mas Te’Chall pôs-se à frente dele e projectou uma barreira de cor verde em forma de Lua em quarto crescente.

Shinja Rajchindjae! – disse Te’Chall, e uma espada de luz saiu disparada directa ao estômago do atacante, espetando-o na parede.

… ai meu deus a sério

a sério

– Cof … Pensas que … ganhaste, Strongheart … a minha morte significará pouco, o meu mestre já recuperou todo o seu poder … Cof … e já nada o pode deter …

– Eu posso, E VOU FAZÊ-LO! – determinou Jonathan. O inimigo soltou um riso maléfico, sofreu uma hemorragia, e morreu de seguida.

… Eu … eu …

Um dos grandes mauzões leva uma assim e morre e é tudo e leva com uma espada de luz pela goela dentro e …

E sofre uma hemorragia.

Não há palavras. Não as há. Flutuam algures no éter das ideias. Isto transcende a minha incredulidade, a minha fúria, o meu desejo quase incontrolável de querer rir a bandeiras despregadas. Isto transcende tudo isso.

A minha alma emparveceu.

Dá mais uma de Attenborough no Zuzarte, ao criar demónios feitos de sombra para perseguir os três companheiros enquanto estes voltam para o unicórnio e o resto do grupo. Estes lá chegam, com os demónios no encalço e corno em riste; espetam a coisa na mioleira do cavalo e tumba!, este rebenta com os demónios.

De repente, surgiu uma luz fortíssima e uma barreira de prata do seu corno – que fizeram recuar os Bel’Als. A seguir, uma espécie de raios laser azul-prateados foram disparados também a partir do seu corno, provocando a destruição dos atacantes.

Raios laser.

Ai. Ai a minha tensão

O cavalo diz-lhes obrigado e apresenta-se como sendo Ascalan, o último unicórnio da Roménia. Diz que todos os outros fugiram, e que ele tê-lo-ia feito também, mas tem a companheira e os filhos para cuidar. Então não és o último unicórnio da Roménia, porra! E depois dizem adeus e cada um parte para a sua vidinha.

Sim, assim a seco. Bora lá andar o resto do caminho a pé. Nem um favorzinho ao Jonatã, que está a tentar ajudar toda a gente. Mas e o corno!, e os peidos de Satanás começaram a desanuviar quando o corno foi recuperado e o Kalthazad foi morto!, e ai porra porque é que me incomodo.

Lá vai a tribo Kumbaiah no seu caminho, pelas terras negras de Drácula, quando deparam-se com o exército de vampiros de elite acima anunciado. Jonatã doesn’t afraid of anything, claro, por isso desembainha a espada, berra que nem um gato com o cio, e carrega neles.

Apenas tinham dado alguns passos quando um homem, que envergava um casaco comprido negro e com um chapéu de vaqueiro americano, se pôs à frente deles, obrigando-os a estacar. Às costas, o homem trazia um crucifixo gigante enrolado num pano e um lenço cinzento tapava-lhe a cara até aos maxilares, deixando-lhe apenas os olhos e a testa à mostra.

Quem será a misteriosa figura? Jonatã interpela-o, perguntando, ‘mas quem raio és tu?’, posto o qual a figura diz ‘és um idiota lol carregar num exército assim quando os teus amigos não são elfos super-guerreiros também lololol noob scrub get rekt’.

– Eu tratarei desta ralé – sentenciou o homem, tirando o crucifixo gigante das costas. Quando os vampiros estavam a cerca de quatro metros de distância, começaram a tapar a cara e a recuar perante o crucifixo. Os cavalos relincharam de forma esquisita [?!] e os cavaleiros perderam o controlo das suas bestas esqueléticas.

– Com[sic] é que um só homem consegue enfrentar dois mil outros seres apenas com um crucifixo gigante? Sabes que os crucifixos não matam os vampiros? És doido! – disse Jonathan.

– Quem disse que é um crucifixo? – e o homem tirou o pano que cobria o crucifixo gigante e revelou a verdadeira identidade do seu escudo: uma metralhadora pesada em forma de cruz.

Não. Não pode ser. Digam-me que não. Por favor, o X-acto já bastou, não me faças isto, Zuzarte, não!

A parte de cima servia para armazenamento de armas do séc. XXI e o centro era o gatilho. Aquela arma era capaz de disparar mais de cem balas num décimo de segundo, todas de prata. As balas percorriam cinco quilómetros em dois segundos e eram capazes de destruir uma cidade inteira.

Por amor de Nossa Senhora das Virgens Aparecidas e Inventadas, não faças isto!

O homem apontou a sua arma aos vampiros e puxou o gatilho que lhe ocupava a mão toda. Disparou inúmeras balas, acertando nos alvos que se contorciam com o impacto das balas dentro do seu corpo. Num segundo e meio, a legião de vampiros ficou reduzida a cinzas.

… O homem revela ser Van Helsing, acompanhado de um grupo que procura matar Drácula. Jonatã curva-se perante ele; Helsing responde com “Não precisas fazer vénias, eu não sou nem mais importante nem mais famoso que tu”. Apresentam-se, declaram-se amigos, juntam mãozinhas e vão caçar vampiros juntos para sempre e sempre e sempre. … table flip

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4 comments on “O Zé Lê “O Filho de Odin”, de João Zuzarte Reis Piedade – Capítulo 12

  1. Carlos Eça
    Maio 9, 2015

    Nunca li o filho de odin mas tive a infelicidade de ler as guerras de midgard e se o zuzarte provou algo é que ele apenas piora de livro para livro.

    p.s.

    Para os curiosos fica aqui o spoiler no segundo “livro” que se passa na grande guerra o neto do energúmeno nº1 é promovido de soldado raso a capitão (isto no exercito britânico) em 1915, mas no flashback de 1913 o energúmeno nº2 já é capitão.

    p.p.s

    AVISO APENAS PARA OS FORTES DE CORAÇÃO E ESTÔMAGO LEIAM POR SUA CONTA E RISCO

    potencias centrais : os habituais mais, elfos negros e ratos que pensam
    aliados : os habituais mais, elfos da floresta, high elfs, low elfs, e toda a puta de elfos que te conseguires lembrar, anões, hobbits, e o que me surpreendeu mais a suíça

    TODOS ELES TEM MILHARES DE DRAGÕES QUE USAM NAS PUTAS DA BATALHAS COMO SE FOSSEM AVIÕES, O FDP Nº2 TEM UM MONSTRO QUALQUER NO CORPO, O DRÁCULA ESTÁ VIVO E COMO SE ISTO TUDO NÃO FOSSE ESTÚPIDO QUE CHEGASSE ATÉ O HITLER APARECE

  2. Maggie
    Outubro 14, 2015

    Este foi escrito em Março de 2015. Vamos em meados de Outubro, onde está o seguinte???

  3. João Ricardo
    Maio 23, 2016

    #RIPVanHellsing Outrora um respeitado um professor, agora uma das aberrações do Zuzarte.

  4. l.i.s
    Dezembro 28, 2016

    “doesn’t afraid of anything ever ever” xDD matou-me, frase na lingua estrangeira mais bem pensada que os nomes científicos em latim criados por Zuzarte.

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